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terça-feira, 28 de agosto de 2018

CNJ AFASTA FILHA DO PRESIDENTE DO TRE-MA DE CARTÓRIO POR NEPOTISMO

DE ACORDO COM O VOTO DO CONSELHEIRO MONTEIRO, QUE FOI SEGUIDO PELOS DEMAIS CONSELHEIROS, A NOMEAÇÃO DA SUBSTITUTA, CONSIDERANDO A SUA FILIAÇÃO, CONFIGURA NEPOTISMO E É CONTRÁRIA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL

A filha do presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) desembargador Ricardo Duailibe, do Tribunal de Justiça do Maranhão, foi afastada do comando do 2º Ofício de São José de Ribamar por decisão dos conselheiros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A decisão da semana em desfavor da senhora Cristina Leal Ferreira Duailibe  passada, leva em consideração prática de nepotismo.
O recurso no CNJ foi proposto pela Associação de Titulares de Cartório do Maranhão (ATC/MA) e Associação dos Notários e Registradores do Estado do Maranhão (Anoreg/MA), contra o ato da Corregedoria do tribunal maranhense que nomeou Cristina Leal Ferreira Duailibe, filha do desembargador do TJMA Ricardo Tadeu Burgarin Duailibe, para responder como interina da Serventia Extrajudicial do 2º Ofício de São José de Ribamar/MA.
Em 2017, o titular da serventia maranhense renunciou da outorga de sua delegação, e o tribunal designou em seu lugar a filha do desembargador. O então conselheiro do CNJ Norberto Campelo, havia determinado arquivamento do pedido por entender que as associações não teriam legitimidade para propor o processo em nome da possível substituta prejudicada por não ter sido nomeada.
Em recurso das entidades, o novo relator do processo, o conselheiro Valdetário Monteiro, entendeu, no entanto, que as entidades têm legitimidade na medida em que o ato supostamente ilegal repercutirá diretamente na esfera jurídica de parcela dos seus associados: os titulares de cartórios extrajudiciais maranhenses. Para o conselheiro, ainda que não houvesse legitimidade das duas associações no processo, o CNJ tem o dever de apurar os atos administrativos ditos ilegais.
De acordo com o voto do conselheiro Monteiro, que foi seguido pelos demais conselheiros, a nomeação da substituta, considerando a sua filiação, configura nepotismo e é contrária à Constituição Federal. O conselheiro considerou, em seu voto, normas como a Resolução CNJ nº 80/2009, que deixa clara a vedação da designação de parentes até o terceiro grau, por consanguinidade ou afinidade, de desembargador integrante do Tribunal de Justiça da unidade da federação em que se exerce o respectivo serviço notarial ou de registro.
Isso se deve, segundo o conselheiro Monteiro, à possível influência da indicação em decorrência do parentesco, até porque o Corregedor-Geral da Justiça, que irá nomear o interino, é desembargador do Tribunal de Justiça: “a nomeação ofende os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade e moralidade”, diz o conselheiro Valdetário Monteiro.
 Domingos Costa.

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