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GOVERNO DO MARANHÃO

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

FOLHA DE SÃO PAULO ENVIA REPÓRTER PARA CENTRO DO MEIO EM PIO X II MA

ESQUARTEJAMENTO VIRA ESTIGMA EM VILA NO MARANHÃO                                  

 ESSE ACONTECIDO FOI NOTICIADO EM PRIMEIRA MÃO POR ESTE BLOG

DEU NA FOLHA DE S.PAULO
REYNALDO TUROLLO JR.  ENVIADO ESPECIAL A PIO XII (MA) 

Centro do Meio, no Maranhão, é um povoado de 200 famílias na zona rural de Pio XII, ao sul de São Luís. Há um mês, passou a centro das atenções após uma partida de futebol acabar com um jogador morto e o juiz esquartejado.
Desde então, moradores do vilarejo se dizem "amaldiçoados" por vizinhos da cidade e o silêncio sobre o caso esconde detalhes de um homicídio que teria sido registrado por dezenas de câmeras de celular -imagens que nunca apareceram.
Cabeça de juiz morto foi tirada de estaca por tia
Na ocasião, o juiz, Otávio Cantanhêde, 19, e o jogador expulso, Josemir Abreu, 30, discutiram, e o árbitro acabou esfaqueando o jogador, que foi levado ao hospital. 

Dezenas de pessoas mantiveram Cantanhêde amarrado até que, com a notícia da morte de Abreu uma hora depois, veio o veredicto: o juiz teve pernas e braços cortados com uma foice e foi decapitado.
Sua cabeça foi colocada numa estaca da cerca que contorna o campo de futebol. 



Félix Lima/Folhapress
Estaca na qual a cabeça do árbitro foi colocada após decapitação em Pio 12, no Maranhão
Estaca na qual a cabeça do árbitro foi colocada após decapitação em Pio 12, no Maranhão
De casas simples, mato alto e ruas de terra, habitantes do distrito de Pio XII mal se lembravam do homicídio anterior na localidade, ocorrido há 15 ou 16 anos, a depender do relato. 

Agora, a recordação dos últimos crimes é constante: crianças de Centro do Meio passaram a ser hostilizadas na escola e quem é da área urbana de Pio XII se benze quando vê moradores do povoado.
"Quem mora aqui se sente revoltado. Até crianças estão sofrendo", diz a dona de casa Teresa de Souza, 52, vizinha do campo de futebol que sediou o jogo daquele fim de tarde de 30 de junho. 

AINDA VIVO
São poucos os relatos sobre o episódio no povoado, embora a Promotoria diga que houve dezenas de testemunhas.
Sabe-se que era uma típica pelada: os times não tinham nomes e o juiz era apenas um jogador que apitava por ter machucado o pé.
A vizinha do campo é uma exceção em meio ao silêncio: pela janela,diz ter visto um homem levantar a cabeça de Cantanhêde "como troféu" e espetá-la na cerca. 

Jane Cantanhêde, tia do juiz, conta que ele teve as pernas cortadas abaixo dos joelhos. "Depois cortaram o pescoço e jogaram com a cabeça, como se fosse uma bola."
O Ministério Público denunciou cinco pessoas pela morte do juiz, mas há suspeita de outros participantes.
"Está difícil saber. Só ficaram os boatos", afirma o promotor Romero Piccoli, para quem o juiz da partida foi esquartejado ainda vivo. 

DEMORA POLICIAL
Moradores dizem que a polícia poderia ter evitado ao menos a segunda morte, pois fora chamada enquanto o árbitro ainda estava amarrado. 

O governo do Maranhão não comentou a suposta demora. Pio XII, com 22 mil habitantes, tem três policiais e sua área urbana fica a cerca de 15 minutos de carro do povoado onde ocorreu o crime. 

Dos acusados, dois estão presos e três, foragidos. O acusado de usar a foice é de Conceição do Lago-Açu, a cerca de 90 km da cidade.
Moradores dizem que Centro do Meio foi estigmatizado injustamente, pois o crime foi cometido por gente de fora e não pôde ser evitado.
E, no campo de terra, não houve mais jogos desde aquele domingo.

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